A simbiose entre a indústria de shoppings e as franquias

Por Marcos Hirai*

O Brasil está se firmando como o segundo maior mercado de franquias do mundo e até já exporta suas marcas. Quanto aos shoppings, muitos investimentos estão mudando o panorama do setor. Existem hoje cerca de 80 novos empreendimentos em planejamento ou em construção

Nestes últimos meses de 2011, o Brasil recebeu 12 novos shopping centers. Calculo que entre 50% a 60% dos lojistas destes centros sejam franqueados. É um número bastante representativo, que mostra hoje como é impensável planejar qualquer empreendimento sem contar com o franchising como aliado. O franchising brasileiro vive um boom, com uma previsão de crescimento de faturamento de quase 15% em 2011 e um acréscimo de 10% do número de marcas. Já são 1.855 empresas franqueadoras e 90.000 unidades franqueadas. As previsões confirmam que este crescimento se manterá para os próximos anos.

O Brasil está se firmando como o segundo maior mercado de franquias do mundo e já está até exportando, com as primeiras franquias brasileiras fazendo relativo sucesso lá fora. Estes grandes números têm atraído muitas franquias estrangeiras. Em 2012 já se sabe da entrada de mais de 18 delas, de diversas nacionalidades. Existem marcas coreanas, japonesas, europeias, argentinas, canadenses, mexicanas, enfim, do mundo todo. Algumas estreando de forma tímida, testando o mercado com cautela, outras mais arrojadas com previsão de abertura de muitas lojas. Mas, de fato, este número pode aumentar ainda mais, pois muitas delas estão em fase de pesquisa ou em busca de um parceiro local. Para essas redes internacionais, o Brasil pode representar a solução para expandirem já que em seus países de origem o panorama é de retração ou estagnação.

Mas, não é só o mundo que olha o mercado brasileiro com otimismo. As próprias empresas brasileiras estão vendo no franchising uma forma de crescerem rapidamente. Este crescimento está sendo alavancado principalmente pela indústria, que vê nessa forma de distribuição uma maneira de vender seus produtos e serviços de uma maneira mais direta e fidelizada, delegando a administração dessas lojas para os fraqueados, o que diminui o impacto da falta de vocação deles em administrar o varejo.

Hoje, nos corredores dos shoppings brasileiros é cada vez mais comum encontrarmos lojas que ostentam a marca de uma linha de produtos, diferente do passado onde prevalecia a marca do varejista. Mais do que aumentar as vendas de toda a sua linha de produtos, as lojas monomarcas representam um excelente componente de marketing para a indústria.

Da parte do mercado de shoppings centers, muitos investimentos estão mudando o panorama do setor. Existem hoje cerca de 80 novos empreendimentos em planejamento ou em construção, que deverão ser inaugurados nos próximos cinco anos. Segundo dados da Abrasce, só em 2012 estão previstas as inaugurações de 43 novos grandes centros de compras em todas as regiões do País. Além dos shoppings tradicionais, surgem agora também com nova força os outlets, os shoppings voltados para decoração, e os shoppings dedicados ao mercado de luxo, mostrando que o brasileiro também está sofisticando o seu poder de consumo, justificando o planejamento destes empreendimentos em outras cidades brasileiras que antes estavam restritos apenas ao eixo Rio e São Paulo. Importante registrar também o número de novas empresas especializadas em centros de compras menores, os chamados Strip Centers ou Power Centers. Sete novas empresas surgiram nos últimos tempos impulsionadas também pela escassez de grandes terrenos nas principais cidades brasileiras. Estes empreendimentos têm características fortes de varejo de conveniência, e acabam sendo locais naturais para a entrada de franquias. Muito presente nos Estados Unidos, esta nova tendência crescerá muito por aqui. Cerca de 40 deles estão em fase de construção para os próximos dois anos.

Como pudemos notar, a euforia de um setor está alimentando o outro e vice versa, dentre outros fatores. Como muitas franquias estão formatadas para o ambiente dos shopping centers e os terão como o ambiente natural para as suas expansões, alimentarão cada vez mais a indústria de shopping centers, que por sua vez também está em plena expansão. Uma boa simbiose, não?

*Sócio-diretor da BG&H Real Estate