Quando se fala em franquia, a primeira imagem que vem à cabeça é daquele restaurante padronizado, com a mesma decoração em todas as lojas, o cardápio idêntico e o método de atendimento padronizado. Isso poderia ser assim dez anos atrás, quando o número de marcas era limitado. Hoje, elas chegam a quase 1.700 em todo o país – quase três vezes mais do que em 2000 – e exibem um fôlego e um crescimento como nunca vistos no país.
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Entre 2001 e 2009, o total de redes de franquia atuantes no Brasil saltou de 600 para 1.643 (aumento de 173%). O faturamento, no ano passado, foi de R$ 63,1 bilhões – 125% a mais do que os R$ 25 bilhões registrados em 2001. Para este ano, a previsão é de que o número de redes passe das 1.770 e os ganhos, de R$ 74 bilhões.
Na opinião do diretor executivo ABF (Associação Brasileira de Franchising), Ricardo Camargo, o setor de franquias exibe um potencial enorme de crescimento. Ele diz que a melhor notícia é que a grande maioria das redes é de brasileiros.
- O Brasil tem um percentual de penetração de redes estrangeiras pequeno. Das quase 1.700 marcas, só 140 são estrangeiras, e há uma tendência irreversível do crescimento das empresas nacionais.
Julio Durante, consultor de empreendedorismo do Sebrae-SP, diz que o brasileiro tem uma cultura do ‘negócio próprio’ que impulsiona o desenvolvimento desse setor. Ele cita dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ao dizer que há ao menos 11 milhões de microempresários e microempreendedores no Brasil – formalizados ou atuando na informalidade, como autônomos.
- O país é um dos mais empreendedores, mas temos muitos que estão ali por necessidade: ou porque é uma mão de obra que as empresas não contrataram ou porque saíram da faculdade e não foram absorvidas. Então vejo que há uma diferença entre oportunidade e necessidade. Com a realidade da carteira assinada acabando, a alternativa de ter o próprio negócio é muito mais atrativa.
Perfil, mercado e dinheiro
Para Liana Bittencourt, diretora do grupo Bittencourt, o Brasil tem mostrado cada vez mais que seu mercado está consolidado e tem oportunidades.
Ela explica que, para abrir uma franquia, o empreendedor precisa avaliar duas coisas logo de cara: o perfil do negócio em que ele vai atuar e o seu próprio perfil profissional.
- Há pessoas altamente empreendedoras que dificilmente se enquadrariam em uma franquia, porque buscam sempre novidades, algo que nem sempre uma rede poderia oferecer. Mas há também aquele perfil de profissional com dinheiro limitado e que busca segurança em um negócio próprio. Para esse, a franquia é uma ótima saída.
Sobre o perfil de negócios, uma avaliação do mercado é imprescindível. Ela afirma que por mais que o empreendedor queira implantar um negócio, ‘se não tiver mercado de consumo, não vai ter sucesso’ – como na história do vendedor de sorvete do Alasca.
Ela afirma que o capital deve aparecer somente depois dessas duas avaliações. Em média, uma rede conhecida custa até R$ 600 mil para ser implantada, segundo a ABF. As menos famosas cobram a partir de R$ 70 mil para montar uma loja do padrão da marca e vender o que é chamado de ‘know how’ (‘como fazer’, na sigla em inglês).
É justamente esse ‘como fazer’ que define a rede – e pode determinar seu sucesso. Os hambúrgueres do McDonald’s são todos parecidos; as esfirras do Habibs têm o tempo exato e cronometrado para ser assadas; as estantes do Boticário têm todos os perfumes da empresa, esteja a loja em São Paulo ou no Maranhão; e cada unidade da Wizard oferece os mesmos métodos de ensino, seja no Rio de Janeiro ou no Amazonas.
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