O Boom dos Shopping Centers

Por Marcos Hirai

Muitas cidades médias começam a receber seus primeiros shopping centers e, num fenômeno recente, algumas delas já estão recebendo os seus segundos e até terceiros shoppings

Nunca antes neste país (não resisti!) tantos shoppings estão sendo projetados e construídos. Outros tantos estão sendo ampliados. Nos próximos 5 anos quase 80 novos shopping centers deverão surgir. Considerando que o mercado de shoppings no Brasil acaba de completar 45 anos e conta hoje com 418 empreendimentos, vamos ter nos próximos 5 anos o mesmo número de shoppings que historicamente demorariam 13 para serem construídos. Corrobora para isto o aquecimento da economia com fortes perspectivas no aumento do consumo que vive neste momento forte transformação. Cidades em crescimento, enriquecimento da população, transferência de renda, a geração Y, olimpíadas e copa do mundo, pré-sal, agronegócios, obras governamentais... abrem caminho para a proliferação de diversos novos centros de consumo espalhados por todo o Brasil. Muitas cidades médias começam a receber seus primeiros shopping centers e, num fenômeno recente, algumas delas já estão recebendo os seus segundos e até terceiros shoppings. Os tradicionais centros comerciais de rua do passado, onde nossos pais compravam, começam a ceder espaço para os caixotes cheios de lojas modernas e coloridas, com sistemas de ar condicionado, segurança e entretenimento. As marcas que os famosos vestem, os sanduíches que só se comiam nas capitais, facilidade de acesso aos mesmos produtos e serviços que se vê na televisão e nas revistas, exercem um poder de fascínio inigualável para a emergente classe média brasileira.

Todos estes indicadores têm atraído os grandes players do mercado mundial de shopping centers. Viramos a bola da vez para estas empresas, que elegeram o país como uma prioridade de expansão dentro do contexto mundial. Gigantes como os grupos Sonae, Westfield, GGP, Ivanhoe, Brookfield já chegaram. A BrMalls que tem entre os acionistas o grupo GP, é a maior empresa de shoppings do Brasil com 43 centros comerciais e tem pretensões de se tornar em breve uma multinacional. Todas elas têm planos de expansão.

Daí surge um dilema para o varejista ou franqueador – expandir ou não a sua rede numa cidade que receberá o seu primeiro shopping center ou, mais difícil ainda – a dúvida entre abrir mais uma unidade na mesma cidade. Quais as chances desta loja canibalizar a outra? O estudo de mercado aponta apenas uma loja na cidade, e agora? Apostar no novo empreendimento implica muitas vezes num exercício de futurologia, pois o empreendimento pode “não pegar”. Mas... e se “pegar”?

Internamente trabalhamos com um dado estatístico baseado num histórico dos últimos 10 anos de centros comerciais inaugurados nos últimos anos. Cerca de 90% dos shoppings não “pegaram” logo que abriram suas portas. 30% deles demoraram 2 anos para “pegar” e 40% 3 anos. Pior foram alguns deles que demoraram 5 e em certos casos até 10 anos para acontecerem (e existem também àqueles que de fato nunca “pegaram” ou seja, micaram).

Nesta fase expansionista é preciso tomar alguns cuidados e fugir dos micos, sabendo escolher os empreendimentos com menor e maior chance de risco. Evidentemente existem muitos bons projetos despontando, mas a pergunta que se faz é, em alguns casos, mesmo pelo bom momento que determinadas regiões atravessam, se existe mercado consumidor para tantos shoppings. Imagine uma cidade que nunca teve um shopping na cidade de uma hora para outra receber 2 simultaneamente? E se esta cidade possuir 120.000 habitantes, um shopping para cada 60.000 (?!).

Os shoppings certamente estão dando a sua colaboração para o crescimento e o fortalecimento da economia. Os investimentos que chegam às diversas regiões, aliados ao desenvolvimento de novos produtos e serviços trazidos por redes varejistas e de franquias, democratizam os hábitos de consumo dos brasileiros e faz com que cada vez mais os brasileiros se alinhem com as nações desenvolvidas, tornando a classe média mais madura e semelhante. Aos lojistas a oportunidade de ingressar e crescer com os shoppings, tomando evidentemente os cuidados na escolha, sem euforias e com a cautela necessária. Entendendo que os shoppings vieram para ficar, e se tornam um caminho sem volta no panorama das cidades brasileiras.


*Marcos Hirai é sócio-diretor da BG&H Real Estate, uma empresa do Grupo BITTENCOURT especializada em pontos comerciais para redes de varejo e franquias.